Gestão de riscos psicossociais e atualizações das NR: o que as empresas devem priorizar em 2026
A gestão de riscos psicossociais torna-se obrigatória na NR 1 a partir de maio de 2026. Entenda como as novas atualizações das normas regulamentadoras impactam o PGR e por que a saúde mental agora é pilar central da conformidade em SST e EHS para empresas brasileiras.
A conformidade em SST (Saúde e Segurança do Trabalho) acaba de ganhar um marco decisivo. Em sua primeira reunião ordinária de 2026, a Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP) ratificou a data de 26 de maio para a entrada em vigor das novas exigências da NR 1 relacionadas ao gerenciamento de fatores de risco psicossociais.
A decisão, tomada de forma unânime por representantes do Governo, Trabalhadores e Ministério Público do Trabalho, ignora os pedidos de prorrogação do setor patronal e envia um recado claro: a saúde mental não é mais um tema acessório, mas um pilar central do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Para gestores de RH e EHS, o momento exige a transição de uma postura reativa para uma estratégia de dados e monitoramento preventivo.
Análise estratégica: os novos desafios para a gestão de EHS
Os números apresentados pela Fundacentro revelam um cenário crítico: entre 2019 e 2024, houve um salto de 104,07% na concessão de benefícios previdenciários por transtornos mentais. O desafio para as empresas reside na enorme lacuna de notificação: embora o volume de afastamentos seja alto, o nexo causal com o trabalho é reconhecido em apenas 2% dos casos.
Com a atualização da NR 1, as organizações devem estar atentas a três lições fundamentais:
- Combate à subnotificação: A transparência na identificação de causas como assédio, metas abusivas e pressão constante passa a ser uma obrigação de gestão. A ocultação do nexo causal gera o que especialistas chamam de "sonegação acidentária".
- Multidisciplinaridade nas NRs: Além dos riscos psicossociais, a CTPP trouxe atualizações importantes em outras frentes, como a exigência de treinamentos presenciais para o uso de escadas (NR 35).
- Conforto e dignidade como segurança: A nova interpretação da NR 24 reforça que contêineres para uso humano devem garantir condições rigorosas de higiene, conforto e segurança elétrica (em conformidade com a NR 10).
O papel da tecnologia no controle de riscos psicossociais
Gerenciar o que é "invisível" — como o estresse e a carga mental — exige ferramentas que vão além das planilhas tradicionais. Softwares de gestão de SST e EHS tornam-se indispensáveis para que as empresas cumpram os prazos estabelecidos para maio de 2026. A tecnologia facilita o controle através de:
- Inventário de riscos dinâmico: Digitalizar o PGR permite atualizar os fatores psicossociais em tempo real, cruzando dados de absenteísmo com indicadores de clima.
- Centralização de treinamentos: Sistemas de gestão ajudam a controlar validades e agendamentos de treinamentos presenciais de forma automatizada.
Modernize sua gestão de EHS
O monitoramento de indicadores (BI) e o uso de dashboards permitem que o SESMT identifique gargalos de saúde antes que eles se transformem em benefícios acidentários, reduzindo custos com FAP e passivos trabalhistas.
- Canal de denúncias e acolhimento: Plataformas tecnológicas garantem o anonimato e a rastreabilidade necessária para tratar casos de assédio.
Conclusão: a liderança frente à nova cultura de segurança
A manutenção do cronograma pela CTPP reforça que o tempo da adequação "no papel" terminou. Para as lideranças, o foco deve ser a construção de uma cultura de segurança que integre o bem-estar mental à integridade física. O gerenciamento de riscos psicossociais não deve ser visto apenas como uma obrigação legal, mas como uma estratégia de sustentabilidade do negócio.